Quem dera me fosse devolvida a capacidade plena de escrever. Quem dera pudesse retornar ao auge de minhas habilidades e tornar a sentir-me capaz de derramar meus sentimentos e agonias em forma de palavras.
Talvez minhas crises existenciais se abrandassem um pouco e essa nova e inquietante sensação de estar fora de mim mesma se apartasse de uma vez por todas.
Provavelmente meus torturantes pensamentos se organizariam um a um. Quem sabe nasceria uma flor? Uma flor que cresceria em meio às esperanças perdidas, uma plantinha que seria o símbolo da inspiração que hoje foge, me deixando sem ar, perdida, sufocada dentro de um eu que não conheço e sinto repulsa.
Como pode alguém sentir tanto desprezo por si mesma? É tão difícil não se reconhecer mais! E reconheço que dói como o inferno! E como algo tão autodestrutivo consegue ser absolutamente forte ao ponto de ferir outros?
Quem dera no espelho houvesse o reflexo de quem outrora fui. Quem dera não visse cinzas e pó de alguém que sinto tanta falta. Como me quero de volta!
Quem dera ver poesia onde não há.
