sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Perdi 8kg em 2 meses



Antes de tudo, quero iniciar esse post atentando para o fato de que EU NÃO SOU NUTRICIONISTA, logo, não vou indicar nenhuma dieta milagrosa ou algo do tipo, até porque não fiz nada que fuja da normalidade, além, é claro, de que esse tipo de orientação deve ser dada por um profissional.
O que eu vou fazer aqui é expor as pequenas mudanças que fiz em meu estilo de vida e explicar um pouco dos meus motivos para mudar, embora creia que não devo satisfações. Ainda assim, decidi dividir minha história e expressar sentimentos que talvez alguns amigos não saibam.


. Como tudo começou: 
Eu sempre fui magra. Menos, é claro, quando estava na faixa dos 8 anos de idade e sofri certo bullying por ser mais “cheinha” que as outras crianças. Foi uma fase bem difícil! Eu chorava muito e me recusava a usar blusas de alça (pois meu braço sempre foi roliço). Mas isso passou logo assim que fui ‘crescendo’ (sem piadas com a minha altura, por favor) e meu corpo foi adquirindo formas mais proporcionais. O “sempre fui magra” começa aí, a partir dos 10 anos mais ou menos.
Depois de adolescente meu peso se estabilizou entre 47/48kg. Lembro-me da minha falecida avó dizendo que eu era um “filé de borboleta”. Hehe
Eu GOSTAVA de ser assim. Sabe, nunca tive muitas curvas (tipo aquelas meninas que têm bunda enooorme e peitos grandes). Na verdade, eu NUNCA ME IMPORTEI em não ser a gostosona da turma. Eu era só eu e estava ótimo assim. E antes que você diga que eu devia ter algum transtorno alimentar, já aviso que está muito enganado. Nessa época eu nem me ligava em peso! Só me via no espelho e me reconhecia: aquela era a Thalita.


(Eu aos 19 anos)

Foi assim até os meus 20 anos. Até que, em uma linda tarde de final de janeiro, eu subi despretensiosamente em uma balança e levei meu primeiro susto: 51kg. Foi um choque total!
Aquele verão tinha sido intenso: Meus pais receberam muito dinheiro no vale alimentação (ou refeição, sei lá a diferença!) e compraram MUITA besteira. Era muito chocolate, muito biscoito, muito doce! E isso se aliou ao fato de que aos 20 e poucos anos, nosso metabolismo desacelera e, se somos sedentários comendo porcarias, engordamos. Eu fiquei sem reação. Eu, né? Porque INSTANTÂNEAMENTE começaram os “Thalita, você engordou!”, “Tá mais gordinha, amiga”, “Percebi seu braço mais cheinho”. PRONTO! Deu-se a desgraça!
A partir daí a montanha russa só foi pra baixo, ao passo que o ponteiro da balança só ia pra cima. Não vou mentir: não engordei de 51kg pra 55kg em poucos dias. Foram 3 anos de pizza, hambúrguer, batata frita e refrigerantes quase injetados na veia.
Eu me tornava infeliz com o peso e ao mesmo tempo desenvolvi uma paixão pela comida que não tinha antes. As pessoas falavam coisas que me magoavam e eu descontava em comida.
Ao longo desses 3 anos, colecionei frases em minha mente que ainda não tive tempo de esquecer e, para piorar as coisas, eu me via no espelho e não me reconhecia.
Eu sei que uma pessoa com 55kg não é gorda, embora algumas pessoas resolvam ignorar o fato de que eu tenho 1,57 de altura e todo meu peso extra era composto unicamente por gordura. Não sei exatamente o que se passa na cabeça de quem está lendo isso (se é que há alguém lendo), mas imagine alguém que se perdeu de si mesma. Alguém que chora porque perdeu a identidade e que começa a ter vergonha do próprio corpo.
Sério, eu não ligo se você, leitor, é gordo. Eu não estou nem aí pro seu peso, pro seu corpo ou pra sua vida. Não sou gordofóbica, não tenho a menor intenção de convencer ninguém a seguir meus passos. O fato é: eu estava infeliz comigo mesma. E eu precisava fazer alguma coisa.


. Algumas tentativas:
Há muitos meses atrás (sério, nem me lembro quanto tempo tem isso), resolvi entrar na academia. Fiquei cerca de um mês e meio e desanimei. Motivo: não emagrecia nada.
Logo depois disso, voltei. E essa reavaliação em especial, teve um gosto amargo: estava pesando 56kg. Foi TRISTE. E, adivinha só! Desisti em menos de 3 meses. Motivo: Não emagrecia nada.
Foi aí que ouvi falar de uma tal dieta Dukan, a dieta da proteína. Foi maravilhosa para uma amiga que estava SENDO ACOMPANHADA POR UMA NUTRICIONISTA. Aí eu resolvi fazer. Desisti. Motivo: No terceiro dia sem carboidratos, acordei vomitando muito.
E, acredite se quiser, tentei mais umas duas vezes e desisti porque a dieta me limitava MUITO. Não podia comer quase nada e eu ficava enjoada.
Cheguei a ir a uma nutricionista, mas fiquei com ódio quando ela pronunciou o termo “reeducação alimentar”. Eu queria emagrecer, não mudar a alimentação. Sim, eu era ignorante! Não segui seus conselhos, mas guardei a dieta que ela passou.
Na última tentativa de entrar na academia, estava pesando 55kg de novo. Como perdi esse quilo? Mágica. Até hoje eu não sei. O final não é difícil de prever: saí da academia mais uma vez. Motivo: Não emagrecia nada.




(22/23 anos)

. A gota d’água. 
Depois de ouvir coisas como “A Thalita não é mais Thalitinha”, “Você tentou esconder a gordura na foto, mas não adiantou nada” e “você não está gorda, só está mais gorda do que você era antes”, a última frase, a que me impulsionou a mudar de vez, foi a de um amigo que disse exatamente essas palavras, durante uma bronca que ele estava dando em mim e em minhas amigas por estarmos comendo besteira: “Quando eu conheci a Thalita, ela era magra”. Meu mundo caiu ali.
Gente, de modo algum sinto raiva dessas pessoas. Não guardo mágoa, guardo frases. E a esse amigo eu devo agradecer E MUITO.  Foram muitas e muitas falas dolorosas, mas aquela em especial me tocou. Eu ERA magra. Eu ERA a Thalita. E ali eu não era mais eu.
E foi nesse belo dia que resolvi mudar.

Antes de começar a falar da dieta, vou abrir um parêntese na minha história: Eu descobri um programa muito legal chamado “Quilo por quilo” que passa aos sábados (às 23:10h) e às segundas (não lembro o horário) na Discovery H&H. É um reality sobre um personal chamado Chris Powell, que transforma obesos em pessoas magras em um ano. Cara, é algo lindo de ver! Ele muda a qualidade de vida dessas pessoas. Ele transforma não só a aparência, mas a autoestima e a saúde dos participantes!
Um dia, Chris Powell disse o seguinte sobre um participante: “Ele é um animal! Ele se dedica muito, dá o melhor de si! Ele tinha mais de 150kg e um problema no coração e nada disso o impediu! E você? Qual é a sua desculpa?”
Isso (juntamente com a frase do meu amigo) me motivou MUITO. Eu não tinha desculpas. Sou uma jovem de 23 anos que estava com alguns quilinhos a mais. NÃO TINHA MOTIVO pra eu continuar me afogando em comida lixo, não havia desculpas para eu me manter sedentária comendo besteira e chorando, sem conseguir me olhar no espelho.
Eu percebi que minha situação emocional estava bastante crítica quando me vi ligando para minha amiga, chorando dizendo que me odiava.  Eu dizia pro meu noivo constantemente que eu estava gorda, e sempre me pegava pensando “quando eu for magra de novo”, “quando eu emagrecer”...  Eu não precisava viver assim.
Ok, o papo de auto aceitação que tem sido propagado por aí é muito válido e eu apoio 100%! Desde que a pessoa REALMENTE esteja disposta a se amar DO JEITO QUE É. E, como eu já repeti algumas vezes nesse post, a moça de 56kg não era eu.


. O começo da dieta 
Como toda boa dieta, comecei em uma segunda-feira (dia 29 de julho). Acordei, fiz uma lista e entreguei pro meu pai comprar no mercado. Disse pra ele que era da dieta, e ele rispidamente me respondeu “Ah, fala sério, Thalita! Você comeu pizza ontem e quer falar em dieta?”. Lembra daquela história das frases que eu coleciono? Então... ESSA foi a primeira da nova fase da minha vida.  Mas não estou falando mal do meu pai. Ele foi lá e comprou as coisinhas que eu pedi. Hehe
Estava insegura. Conversei com meu noivo, que me apoiou e disse que ia dar tudo certo. Ele como sempre, me encheu de esperança e mais uma vez foi meu porto seguro. Falou que se eu quisesse mesmo, eu iria conseguir.
Naquele mesmo dia, minha mãe fez feijoada. Sabe aquele feijão vermelho? Sim... aquele mesmo! Meu favorito! Pois é. A minha resposta a ele foi “não”.
No segundo dia teve brigadeiro, no terceiro, batata frita, no sábado teve um churrasco da família do meu noivo, e domingo uma festa na minha família.
Foram nãos sobre nãos, dias após dias. E hoje eu tô aqui. Com 8kg a menos.
Como eu disse, não vou dar dieta nenhuma, mas... sabe a reeducação alimentar que a nutricionista passou? Então... eu peguei e comecei a seguir! :D (exceto, é claro, dos milhões de grãos que eu nem faço ideia de onde se compra, e confesso que tenho um problema com os legumes: não gosto deles. Fora isso, a dieta é a dela. Sem tirar nem pôr.)


. O que aprendi com a dieta:
São coisas bobas, que fazem parte do senso comum. Mas, quando aplicadas na minha vida, causaram efeitos notórios!

O1. Refrigerante é SIM um veneno.  Eu não queria acreditar, não queria saber, não queria aceitar, mas desde o momento que retirei (ou, na verdade, reduzi a quase nada) o consumo de refrigerantes da minha vida, emagreci muito rápido.
Gente, é sério! Dá pra acreditar na quantidade de açúcar que  tem ali, em um mísero copo de coca-cola? E o gás? Aquela bodega dilata o estômago que é uma loucura.

O2. NÃO DÁ pra erradicar o carboidrato. Ok, tem alguns organismos que aceitam bem esse tipo de coisa, mas o meu não aceitou. O ideal é procurar uma nutri.

O3. Exercícios físicos AJUDAM MUITO, mas sozinhos não fazem muita diferença. O que eu queria nas vezes que resolvi entrar na academia era comer hambúrguer depois de malhar. Meu bem, isso não adianta nada. Os exercícios são lindos aliados na dieta e quando você passa a se exercitar, a vida fica mais legal.
Toda a ansiedade que eu tinha e descontava na comida, hoje em dia eu extravaso malhando.  E dá certo.

O4. Encontre uma atividade aeróbica que você goste. No momento estou apaixonada por spinning (que eu nem gostava!) e correr na esteira. Eu gosto de brincar de desenvolver meu condicionamento físico, alternando a intensidade da caminhada/corrida.

O5. Substituir comidas muito calóricas por alimentos similares. Quando eu quero comer pizza, pego uma fatia de pão árabe, requeijão light e queijo branco light com orégano. Quando quero sorvete, tomo frozen. Quando quero bolo/chocolate, como uma barra de cereal. E assim caminha a humanidade.

O6. FRUTAS são uma delícia! Descobri as frutas, gente! Elas saciam minha fome e me deixam bem nutrida com suas vitaminas e tal... Eu gosto muito.

O7. Pães e arroz integrais são muito gostosos. Eu sempre ouvi gente cuspindo bosta, falando que arroz integral é horrível e pão integral é seco. Mentira! São tão bons quanto as versões normais e muito mais nutritivos.

O8. É muito mais fácil do que dizem, ou do que eu acreditava que seria. Autoexplicativo. Tem sido fácil me manter e negar o que preciso pra obter os resultados que quero.  Sem dramas.

O9. “Dia do lixo”. Eu fazia uma vez por mês, mas agora vou fazer de 15 em 15 dias. 

1O. Dieta radical não tá com nada. Ninguém aguenta ficar sem comer carboidrato, sem fruta, sem queijo, sem nada! Dá sim pra balancear a alimentação sem se privar da vida.

11. Não posso ficar com fome. Sempre que isso acontece tenho pensamentos de largar a dieta e me jogar em um hambúrguer gigante. Sendo assim, sempre carrego uma fruta, uma barra de cereal ou um biscoitinho integral na bolsa pra onde quer que eu vá. 

12. Pessoas são estranhas. Oi? Ok, essa é a última que eu lembro (até porque, preciso dormir e já estou há mais de 1h escrevendo). Enfim... pessoas são estranhas. Algumas que reparavam que eu estava mais gorda aparentemente não repararam que estou magra de novo (Ainda aguardo a moça vir me falar que a Thalita voltou a ser Thalitinha); aqueles que eram cruéis e diziam que eu tentava esconder a gordura, hoje dizem pra eu “pegar leve na dieta” (acho que é medo de eu virar anoréxica hahaha) ; E tem uns que vem “me criticar” com todo aquele papo de auto aceitação, sem saber da minha vida, sem conhecer minhas dores e sem ao menos entender que eu sou eu assim,  desse jeito e ponto final.

. Considerações (quase) finais:
Hoje me pesei e estou com 46,600kg. Eu cheguei  “ao final”, tenho meu corpo de volta (embora ainda "lute" um pouco com as gordurinhas localizadas nos meus braços e barriga) , minha autoestima renovada, minha felicidade nas minhas mãos.
Mas confesso que tenho medo do “Ebaa! Agora acabou”, medo do efeito sanfona e da possibilidade de ter todo o meu trabalho jogado no lixo.


 (eu atualmente)


.O que eu pretendo fazer agora:
Minha reavaliação na academia é só em novembro, então vou continuar na dieta (mas talvez pegando mais leve) e trabalhar mais a musculação. Eu quero tomar suplementos pra ajudar a aumentar meus músculos e conquistar um corpo que eu nunca tive (sem neurose, calma e tranquila, curtindo meu corpo com a convicção de que já sou linda. Se “melhorar” é lucro).
E, claro, pretendo procurar um nutricionista esportivo e contar com a ajuda dos meus lindos professores da academia.


. Agradecimentos (Juro, não é um discurso)
Thiago, meu amor, obrigada pela força!
Thayane, sua linda, obrigada pela ajuda e incentivo! Você é a única amiga que compartilha receitas e dá dicas preciosas. ;)
Mãe, Pai e Gabi, obrigada por me ajudarem nas compras da dieta e por, de certa forma, embarcarem comigo nesse novo estilo de vida saudável que estou procurando levar.
No mais, agradeço aos outros amigos pela compreensão. Sei que é uma barra não ter mais pizza na minha casa toda semana. HAHAHA, mas vocês continuam meus amigos e é isso que importa. <3
(Um singelo antes/depois)

Enfim... é isso. Eu termino meu post dizendo que não espero servir de "inspiração" pra ninguém emagrecer. Eu só queria que as pessoas soubessem que por mais difícil que pareça alcançar qualquer objetivo na vida, se temos força de vontade, conseguimos. 
Também queria ressaltar que viver uma vida mais saudável é bem legal. As frutas, as carnes magras, os exercícios físicos só trazem benefícios. Sei que cair de boca na "comida lixo" é tentador (e muito gostoso), mas, acredite, pensar na nossa saúde é investir no futuro. 
Hoje em dia não quero outra vida. Espero ficar assim (feliz e saudável) pra sempre. :D 

Abraços, queridos! 
Thalita Reis.